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  • Acerca do cinema cubano Sol Aymara em artigo

    2019-05-08

    Acerca do cinema cubano, Sol Aymara, em artigo denominado Breve mirada al cine cubano, sustentou que houve um desenvolvimento significativo da cinematografia do país em razão do apoio decisivo da Revolução e do próprio Fidel Castro, que mostrou interesse particular em desenvolvê-lo, contribuindo para o enriquecimento do cinema latino-americano. O texto mencionou T-5224 criação do Instituto Cubano de Arte e Industria Cinematográfica (icaic) pelo governo revolucionário, em 24 de março de 1959, e defendeu a necessidade do cinema enquanto criação estética e luta política. Nesse sentido, torna-se relevante acrescentar que Fidel Castro direcionou, de fato, especial atenção ao cinema, principalmente o documentário, por ter em conta que tal instrumento cultural constituía-se fundamental para a exposição e difusão dos ideais da Revolução Cubana. Por sua vez, na Nicarágua, o movimento revolucionário sandinista –cujo período à frente do governo com a fsln, de 1979 a 1990, coincide com o tempo de publicação de Araucaria de Chile no exílio– foi analisado por destacados intelectuais latino-americanos. O importante escritor argentino Julio Cortázar, ao receber da Junta do Governo nicaraguense o prêmio Rubén Dario, discursou para a plateia que o acompanhava na Nicarágua. Em seu discurso, publicado em Araucaria, número 22, ele posicionou-se claramente favorável à revolução popular sandinista, ressaltando o valor social adquirido pela cultura com a ascensão ao governo da fsln. Cortázar ressaltou que a acepção de cultura, na Nicarágua, após a revolução de 1979, adquiriu uma conotação que não existia em países europeus, como os do ocidente, nos quais só a usavam em um sentido elitista, concebendo-a como privilégio de poucos. Em sua visão, o Ministério da Cultura do país e quaisquer das instâncias do governo “han expandido desde un primer momento el concepto de cultura; [...] han empujado la palavra cultura a la calle como si fuera un carrito de helados o de frutas, se la han puesto al pueblo en la mano y en la boca con el gesto simple y cordial del que ofrece un banano”. Essas palavras, colocadas em um sentido metafórico, indicavam a nucleotides oposição de Julio Cortázar ao caráter elitista e acadêmico da concepção de cultura. Ele criticou seu acesso limitado a poucos, contrapondo essa perspectiva ao “proceso de liberación, de dignidad, de justicia y de perfeccionamiento intelectual y estético” que as manifestações culturais, como a música, o teatro e a poesia, proporcionaram à sociedade nicaraguense após a revolução. Lembremos que Cortázar foi um grande admirador da Revolução Sandinista, atuando junto aos revolucionários no campo cultural, quando, por exemplo, ajudou a fundar o primeiro Museo de Arte Contemporáneo no país e participou do processo de alfabetização da população local. Segundo Adriane Vidal Costa, o escritor argentino apoiou intensamente a revolução na Nicarágua por acreditar que o processo revolucionário naquele país aproximava-se daquilo que ele tanto idealizou para as sociedades da América Latina. Por isso, “Cortázar assinalou que iria quantas vezes fosse preciso à Nicarágua para participar de diálogos e reuniões, e ajudar no que fosse possível no plano da cultura”. O tema da cultura na Nicarágua esteve presente também em outro artigo publicado em Araucaria de Chile, em 1986, escrito pelo professor e crítico chileno Pedro Bravo-Elizondo. Confluindo para a ideia de Julio Cortázar, Bravo-Elizondo ressaltou que, com o triunfo da revolução, artistas formaram associações para proteger seus interesses e os do povo, difundindo os novos valores sandinistas. Segundo o autor chileno, a Asociación Sandinista de Trabajadores de la Cultura, criada em 1980, encarregava-se de resgatar os elementos da cultura T-5224 popular nicaraguense: a dança, a música, a tradição oral, a comida e os artesanatos. A associação deveria estimular a os jovens a participar de algum ramo artístico, divulgando posteriormente seus trabalhos para suas comunidades de origem.